MPGO denuncia ginecologista pelo estupro de 15 pacientes, em Goiás
08/05/2026
(Foto: Reprodução) Justiça recebe duas denúncias do Ministério Público contra médico ginecologista
Suspeito de estuprar mais de 20 pacientes, o ginecologista Marcelo Arantes e Silva foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por estupro de vulnerável contra 15 pacientes, entre os anos de 2017 e 2025. A denúncia foi feita pela 5ª Promotoria de Justiça de Senador Canedo, que fez busca e apreensão dos prontuários médicos das pacientes, na clínica onde os crimes teriam ocorrido.
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O médico teve a prisão preventiva decretada no dia 24 de abril. Ao g1, a defesa do ginecologista afirmou que a denúncia tem intuito de “aumentar a carga de pré-julgamentos" sobre o médico.
“Isso não me parece razoável. Antes mesmo de se permitir à Defesa do acusado acesso aos termos da imputação, já se propagandeia a existência dela. Com que propósito? A justiça ganha algo com isso? Lamento muito que situações assim ainda aconteçam”, declarou a defesa (confira a nota completa ao final da reportagem).
As denúncias do MPGO foram feitas pelo promotor de Justiça Bruno Barra Gomes e apontam que o médico praticava atos libidonosos contra as pacientes, durante as consultas e exames ginecológicos. Segundo o órgão, os processos contra Marcelo ocorrem em segredo de Justiça e estão em prazo para a defesa responder à acusação. Em seguida, devem seguir com as audiências de instrução e julgamento.
As denúncias feitas pelo MPGO até esta sexta-feira (8) referem-se apenas aos crimes praticados em Senador Canedo. Há ainda as pacientes vítimas do médico em Goiânia, cuja promotoria responsável ainda não recebeu o inquérito concluído e aguarda a conclusão das investigações. Ainda segundo o MPGO, a pena do médico pode ultrapassar 200 anos de reclusão, além do valor mínimo para reparação dos danos morais às 15 vítimas.
Denúncias contra o ginecologista
A Polícia Civil identificou cinco vítimas do médico em Goiânia e em Senador Canedo, quando o caso foi divulgado em abril. Em seguida, outras vítimas também denunciaram o médico, chegando a mais de 20 vítimas. A delegada responsável pela investigação Amanda Menuci explicou que o médico tentava ganhar a confiança das pacientes antes de cometer os crimes.
A investigadora relatou também que as primeiras consultas eram marcadas por toques físicos indesejados e perguntas inapropriadas sobre vida íntima das pacientes. “É um verdadeiro predador sexual que faz do ambiente clínico um local de vulnerabilização das vítimas, se aproveita dessa autoridade médica que ele tem sobre elas”, contou.
Médico Marcelo Arantes é suspeito de estuprar pacientes em Goiás
Divulgação/Polícia Civil
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PROVAS: paciente gravou consultas após desconfiar da conduta dele
Uma das vítimas gravou uma consulta do médico após ele enviar mensagens para ela para comentar um atendimento em que os abusos teriam acontecido. De acordo com a delegada, ele fez comentários pejorativos enquanto tocava as partes íntimas da vítima, que estava grávida.
Segundo a delegada, a gestante procurou uma advogada na época, mas optou por não denunciar a conduta do médico, pois estava com uma gravidez de risco e precisava de repouso. A delegada também destacou que, embora o comportamento do médico fosse suspeito, ele ainda tinha um grande conhecimento técnico na área, o que incentivou a vítima a continuar com as consultas.
"Nas outras consultas, quando o marido dela não podia acompanhar, ela falava assim: 'Ô doutor, eu vou filmar aqui o ultrassom para depois mandar para o meu marido'. Mas ela filmava a consulta do início ao fim", destacou Amanda.
Marcelo Arantes foi preso suspeito de estuprar pacientes durante consultas em Goiás
Divulgação/Polícia Civil
Como o ginecologista agia
A delegada também destacou que o médico teria feito exames de toque sem luvas e perguntas de teor sexual às pacientes. Inclusive, ele perguntava se elas estavam sentindo prazer durante a consulta, disse a investigadora.
A Polícia Civil também entendeu que as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade e que as mulheres estavam sob a autoridade do médico. Com isso, Marcelo é investigado por estupro de vulnerável.
NOTA DA DEFESA DO GINECOLOGISTA
Não são denúncias. Há apenas uma nova denúncia. Quando falam em duas denúncias - na verdade - fazem referência a uma primeira acusação referente a um fato em tese ocorrido no ano de 2017. A referência a ela (a esta primeira denúncia), oferecida a semanas atrás, ocorre apenas para aumentar a carga de pré-julgamentos lançada sobre o acusado. Já em relação a segunda denúncia, recentemente oferecida, muito se propagandeou, mas à defesa ainda não se deu acesso aos seus termos.
Isso não me parece razoável. Antes mesmo de se permitir à Defesa do acusado acesso aos termos da imputação, já se propagandeia a existência dela. Com que propósito? A justiça ganha algo com isso?
Lamento muito que situações assim ainda aconteçam. Pessoalmente creio que a espetacularização de processos serve apenas [para] a imposição de suplícios morais aos investigados, para que eles sejam destruídos em vida e condenados antes mesmo de serem processados.
Nota do Cremego
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informa que o registro do médico foi suspenso por ordem judicial. A informação consta no site do Cremego.
Sobre as acusações contra o profissional, o Cremego ressalta que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.
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