Jovem goiana que ficou tetraplégica participa de corrida de rua em Goiânia
09/03/2026
(Foto: Reprodução) Goiana que ficou tetraplégica participa de corrida de rua em Goiânia.
Ao som de músicas cristãs e muito emocionada, a goiana Roberta Rodrigues, de 33 anos, participou no domingo (8) do Circuito Mulher Unimed e percorreu os 5 km do percurso em uma cadeira de rodas, em Goiânia.
A fisioterapeuta, que já ficou tetraplégica cinco vezes ao longo da vida por causa de uma doença neurológica rara e autoimune, contou com o apoio de uma amiga, que também é fisioterapeuta, e de outras corredoras que deram suporte às duas. Esta foi a segunda vez que ela participou de uma corrida como cadeirante.
“Foi maravilhoso, porque eu já tinha participado de uma corrida depois que fiquei cadeirante e, naquela ocasião, quem me empurrou foi o meu irmão. Levamos também uma caixinha de som e colocamos louvores para tocar durante o percurso”, disse.
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Roberta tem Polirradiculoneuropatia Inflamatória Desmielinizante Crônica (CIDP), uma doença autoimune neurológica rara que trata há 18 anos. Ela descobriu a doença em 2008 e, desde então, enfrenta períodos de crises e tratamento para controlar os sintomas.
Ela é fisioterapeuta intensivista, formada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), e se tornou referência na defesa da humanização na saúde.
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Roberta levou para as ruas de Goiânia o lema que carrega tatuado na mão: “Você consegue”. A frase, que também estampa as camisetas dela e da amiga Daniela Lima, é uma demonstração da superação que ela tem vivido ao longo dos anos.
“Essa frase é algo que me incentiva muito”, contou.
Roberta Rodrigues percorreu 5 km do percurso numa cadeira de rodas com a ajuda de uma amiga
Wildes Barbosa/O Popular
Superação entre mulheres
Em entrevista ao g1, a fisioterapeuta chamou de “incrível” a experiência da corrida, principalmente porque outras mulheres se revezaram para ajudar a empurrar a cadeira.
“Foi muito lindo. O que mais marcou a gente foi o abraço de todas as mulheres ali naquele momento. Todo mundo cooperando, todo mundo querendo ajudar, cantando junto, se emocionando. Eu mesma chorei. Foi um momento muito bonito e muito emocionante”, disse Roberta.
Fisioterapeuta goiana participou de corrida com percurso de 5km
Arquivo Pessoal/Roberta Rodrigues
Corrida como motivação
De acordo com Roberta, ela se preparava para o ciclo da Maratona do Rio de Janeiro quando ficou doente após descobrir a doença, em 2008. Depois disso, precisou interromper os treinos.
“Agora estou voltando aos poucos, porque quero me sentir pertencente novamente. Eu adoro a energia das corridas. Acho que quem nunca correu deveria pelo menos experimentar uma vez na vida, porque a energia da largada é algo difícil de explicar”, comentou.
A fisioterapeuta disse ainda que as provas de corrida de rua proporcionam bem-estar e lhe dão força para continuar o tratamento de fisioterapia.
“Para mim faz muito bem. Eu saio dessas provas com tanta energia e com tanta vontade de voltar para a fisioterapia, de lutar e continuar me esforçando. Isso tem me dado um gás que é difícil até de explicar”, afirmou.
Doença rara mudou a rotina
Segundo Roberta, após a primeira crise que sofreu aos 15 anos de idade, ela recebeu o diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que faz os músculos deixarem de responder, inclusive o diafragma, responsável pela respiração. Com isso, ela precisou ser internada em Goiânia.
Roberta apresentou insuficiência respiratória e precisou passar por sessões de plasmaférese, tratamento que filtra o sangue para conter o avanço da doença. O quadro foi considerado grave.
Com o passar dos anos, porém, as crises voltaram. Diferentemente do que costuma acontecer nos casos clássicos de Guillain-Barré, em que há recuperação após a fase aguda, Roberta teve novas recaídas e passou a apresentar fraqueza persistente.
Os laudos mais recentes apontam que o diagnóstico evoluiu para Polineuropatia Inflamatória Desmielinizante Crônica (CIDP), uma forma crônica da doença que faz o sistema imunológico atacar as próprias células nervosas, provocando perda de força muscular.
Mesmo diante das limitações, ela mantém a rotina de estudos, produção de conteúdo nas redes sociais e projetos voltados ao cuidado e à saúde da mulher.
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