Disputa de paraíso turístico entre Goiás e Tocantins: estudo terá apoio técnico do IBGE, Exército e Incra

  • 26/06/2026
(Foto: Reprodução)
Procurador Alerte Martins explica a disputa territorial entre Goiás e Tocantins Os estudos sobre a disputa entre Goiás e Tocantins por uma área considerada um paraíso turístico, na região da Chapada dos Veadeiros, terão apoio técnico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Exército e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A decisão, de acordo com a Procuradoria-Geral do Estado de Goiás, foi tomada após novas audiências de conciliação entre os estados, realizada no Supremo Tribunal Federal (STF). As análises são mais um passo do imbróglio sobre a quem pertence o território que equivale a cerca de 18 mil campos de futebol e reúne áreas turísticas estratégicas, como o Complexo do Prata, um dos principais atrativos da Chapada dos Veadeiros. A titularidade de cerca de 12,9 mil hectares (129 km²) ao norte de Cavalcante, no nordeste goiano, é questionada por Goiás em uma ação cível ordinária no STF. A área é conhecida como “Quilombo Kalunga dos Morros”. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Além da redefinição dos limites territoriais, Goiás pede a desocupação administrativa imediata por parte do Tocantins. De acordo com a PGE, o objetivo da audiência realizada na última segunda-feira (22), mediada pelo relator do caso, ministro Cristiano Zanin, foi estabelecer as bases metodológicas do estudo técnico. Já a audiência realizada dois dias depois, foram alinhados a metodologia e os procedimentos que nortearão o estudo técnico. Ao g1, o Incra informou que o apoio do instituto, cujo foco será a apuração técnica da população e dos limites territoriais em discussão, inclui: levantamentos de campo; análises territoriais; georreferenciamento; cruzamento de bases de dados. O g1 questionou o IBGE e o Exército sobre de que forma serão as suas atuações no processo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Poços e cachoeiras do Complexo do Prata, área de grande interesse turístico que fica na zona de divisa entre Goiás e Tocantins e é alvo da disputa territorial aberta após erro em mapa dos anos 70 Reprodução/Instagram de Complexo do Prata LEIA TAMBÉM Entenda a disputa territorial entre Goiás e Tocantins que está na Justiça Disputa de território entre Goiás e Tocantins aconteceu por registro incorreto de nome de rio, diz PGE Paraíso turístico vira foco de disputa de divisa entre GO e TO após erro em mapa dos anos 70 Identificação errada Em um vídeo publicado pelo procurador Alerte Martins, que integrou uma comitiva da PGE-GO que foi até Cavalcante no início deste ano, mostrou exatamente onde aconteceu o erro que supostamente resultou no desenho equivocado dos limites territoriais entre os dois estados. Nas imagens, ele aponta para o Rio da Prata, que foi identificado erroneamente como Córrego Ouro Fino, gerando a confusão (veja o vídeo no início da reportagem). O Estado do Tocantins, que antes pertencia a Goiás, foi criado com a Constituição Federal de 1988. O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que serviu de base para a versão final da Constituição, determinou o seguinte: "O Estado do Tocantins integra a Região Norte e limita-se com o Estado de Goiás pelas divisas norte dos Municípios de São Miguel do Araguaia, Porangatu, Formoso, Minaçu, Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Campos Belos (...)". Infográfico - Paraíso turístico vira foco de disputa entre GO e TO por divisa após erro em mapa dos anos 70 arte/g1 Além desse trecho da ADCT, a Procuradoria-Geral de Goiás usa a Lei estadual goiana nº 8.111, de 1976, como base do pedido de reivindicação do território. A lei diz que o norte de Cavalcante faz divisa com o município de Paranã, que pertence ao Tocantins, da seguinte forma: "Começa no Rio Tocantins ou Maranhão, na barra do Rio Traíras; sobe por este rio até sua cabeceira na serra do mesmo nome; daí, segue em rumo certo à cabeceira do Ribeirão Ouro Fino; desce por este ribeirão até sua barra no Rio da Prata; desce por este rio até sua barra no Rio Paranã; sobe por este até a barra do Rio Montes Claros ou Bezerra". "Ribeirão Ouro Fino" é o córrego mostrado pelo procurador Alerte no vídeo. O pequeno curso d'água foi confundido com o Rio da Prata e, com isso, as linhas divisórias entre os dois territórios foram comprometidas. Recorte da Carta Topográfica feita pelo Exército em 1977, na qual é possível ver o córrego Ouro Fino e o Rio da Prata, que foram confundidos Relatório Técnico de Avaliação de Limites Municipais do Instituto Mauro Borges De acordo com a PGE-GO, o erro foi cometido na Carta Topográfica “São José”, elaborada pela Diretoria de Serviço Geográfico do Exército Brasileiro, em 1977, onze anos antes da Constituição Federal portanto. Na carta topográfica, é possível ver a situação de "triângulo" explicada pelo procurador no vídeo, formado pelo Rio da Prata e o Córrego Ouro Fino. Procurado, o Exército disse que a definição de limites em quaisquer esferas do Poder Público (municipal, estadual, federal e internacional) não é sua atribuição. "Nos casos de contestação sobre limites territoriais envolvendo estados ou municípios, na esfera judicial, o Exército, quando solicitado, atua como perito designado", afirmou. A ação no STF começou a tramitar em novembro de 2025. Até agora, foram realizadas três audiências em busca da conciliação. Não há prazo para o fim do processo. Em dezembro, o g1 percorreu a zona rural de Cavalcante e esteve na comunidade Kalunga dos Morros, uma das mais afetadas pela indefinição, ouvindo moradores que vivem há décadas entre divisas que mudam no papel, mas não no cotidiano. As falas mostram que não há consenso: há quem se sinta goiano, e há quem se sinta tocantinense. A construção de uma ponte sobre o Rio Ouro Fino, executada pela prefeitura de Cavalcante, também se tornou um marco simbólico dentro da disputa. A estrutura é utilizada diariamente por quem vive na zona rural e, embora esteja concluída, não foi inaugurada oficialmente, porque o município decidiu aguardar a decisão judicial sobre a divisa. A movimentação de Tocantins na área ficou mais evidente depois dessa construção, segundo moradores e lideranças locais. E es relatam que a placa instalada pelo governo tocantinense — com os dizeres “Bem-vindo ao Tocantins” e reforçando o limite territorial — surgiu pouco tempo depois da conclusão da ponte, o que reforçou, para parte da comunidade, a percepção de que a sinalização seria uma resposta direta ao avanço de infraestrutura promovido pelo lado goiano. O g1 solicitou à Procuradoria-Geral do Estado do Tocantins um posicionamento sobre o assunto, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/06/26/disputa-de-paraiso-turistico-entre-goias-e-tocantins-tera-apoio-tecnico-do-ibge-exercito-e-incra.ghtml


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